quarta-feira, 26 de setembro de 2012

REVEZAMENTO 168 HORAS DESAFIA ATLETAS PARA CORREREM NA MADRUGADA

Acostumados com as provas matinais ou noturnas, os participantes experimentam a sensação e obstáculos de correrem sozinhos no parque
Já passou da meia-noite. Enquanto a cidade dorme e o trânsito urbano silencia, um grupo solitário desafia a hora adiantada e os limites físicos de uma situação inédita: correr uma hora de madrugada. O desafio é um esforço para continuar com a corrente do Revezamento 168 Horas, que pretende fechar uma semana de corrida sem parar.
A maioria dos participantes que vão correr na faixa de horário entre meia-noite e quatro horas da manhã nunca tinha praticado exercícios de madrugada. Alguns fatores, como falta de hábito e segurança, pesam na hora de ir ao parque para experimentar. Mas em prol do desafio, muitos corredores estão encarando as frias madrugadas de Curitiba.
O evento termina no próximo sábado, e até lá, a temperatura mínima em Curitiba pode chegar a 4ºC, durante a madrugada, o que pode dificultar ainda mais. Porém, os problemas estão sendo encarados com naturalidade pelo participantes, que estão motivados em vivenciar uma nova situação.
Na preparação, as mudanças não são drásticas. Uma manta térmica, a calça ao invés do shorts, ou quem sabe uma blusa leve por cima, mas nada exagerado, para evitar que atrapalhe o desempenho.
Nascer do sol no Parque Barigüi, em Curitiba (Foto: Jairton Conceição / RPC TV)Madrugueiros do Revezamento podem contemplar paisagens no parque.
Para o preparador físico e um dos organizadores do evento, Tadeu Natalio Tymowicz, o desafio de correr pela madrugada foi proposto por muitos participantes, que queriam aproveitar o evento para sentir uma nova adrenalina.

- Muitos colocaram no desafio correr de noite ou de madrugada para ver a reação do corpo. É uma experiência nova. Ver o parque sem as pessoas.
Muitos colocaram no desafio correr de noite ou de madrugada para ver a reação do corpo. É uma experiência nova"
Tadeu Natalio Tymowicz
Para Tymowicz, a principal adaptação que os atletas madrugueiros precisam enfrentar é a adaptação do sono.
- Na parte noturna, a nova situação vai mexer com o sono da pessoa. Eles vão ter que interromper o sono, se preparar de uma outra maneira para que eles durmam, acordem, corram e voltem para o sono. Talvez alguns consigam, talvez outros não, pois é uma adrenalina muito grande. Mesmo sendo a hora deles, será de uma grande importância para a corrente toda.
Mas o preparador físico não se esquece dos corredores que vão correr na hora mais quente do dia pela primeira vez, entre meio-dia e duas horas, tendo que enfrentar obstáculos como o sol forte na cabeça.
- Quem corre pela tarde, e nunca correu neste horário, tem uma outra expectativa. Quem corre pela manhã e vai correr pelo meio-dia é bem diferente. Tem o sol, que influencia em um ritmo diferente, dependendo do metabolismo de cada um - completa.
Do mesmo jeito para enfrentar a madrugada
A faixa de horário mais tarde que Witold Kawalec, de 22 anos, correu foi entre oito e dez horas da noite, nas competições noturnas. Com a missão de pegar a pulseira do revezamento às duas da manhã de quinta para sexta-feira, o atleta não pretende realizar grandes mudanças para a sua hora.
Acostumado com o clima frio de Curitiba, Kawalec sempre corre com uma camisa térmica por baixo da regata, mesmo quando as corridas são disputadas pela manhã. Outro ponto em que ele não vai precisar fazer mudanças é na hidratação.
- Como a manhã curitibana já é fria, eu me preparo melhor para correr nas provas em que são disputadas cedo. Basta uma térmica por baixo da regata e já protege. Na parte de hidratação, não tenho o hábito de tomar água no meio das provas, só se a temperatura estiver muito elevada ou for uma prova de longa duração - diz.
Witold Kawalec, corredor de rua (Foto: Arquivo Pessoal / Foco Radical)Acostumado com corridas noturnas, Witold vai usar uma camiseta térmica, por baixo da regata, para se precaver do frio (Foto: Arquivo Pessoal / Foco Radical)
No sábado passado, Kawalec percorreu os 21 quilômetros da Meia Maratona Noturna de Curitiba. Mas o principal treino para a experiência madrugueira será na quarta-feira, quando vai correr quase nove quilômetros no Circuito da Lua Cheia, no Parque Tingüi.
- Não vai ser um horário tão próximo, pois a largada do Circuito será oito da noite, mas acredito que a temperatura esteja próxima, então vou aproveitar para sentir o meu rendimento - completa.
A intenção de Witold é percorrer entre 14 e 15 quilômetros durante a hora dele no Revezamento 168 Horas.
Simulação com o amigo, para sentir o gostinho da corrida solitária
Das 50 corridas oficiais que a atleta Marli Palugan já participou, o Revezamento 168 Horas será marcado pelo gostinho de nova aventura. A experiente corredora vai suceder o jovem Witold Kawalec, às três da manhã de quinta para sexta-feira. Porém, diferente do colega, ela preferiu não arriscar e fez uma simulação de como é enfrentar o silêncio do Parque Barigüi.
Estava muito bom, pois dava para sentir o cheiro do mato, da terra, e o sereno da madrugada. Uma sensação única!"
Marli Palugan
atleta
Marli aproveitou que um amigo dela ia correr na madrugada de segunda para terça-feira e pegou uma carona. Além dos dois, mais uma companheira fechou o grupo. Uma oportunidade para sentir o ambiente, o que vai precisar e a nova sensação de conviver com o silêncio.
- Foi show. Tranquilidade total. Estava muito bom, pois dava para sentir o cheiro do mato, da terra, e o sereno da madrugada. Uma sensação única!
Adepta do menos é mais, Marli pensou inicialmente em não se agasalhar. A justificativa era que ela "já sente muito calor", então bastam alguns minutos para o corpo se aquecer sozinho.
- Uma vez eu tentei correr com uma blusa leve, mas senti tanto calor na metade da prova, que tive que tirar. Começou até a me fazer mal. Então, prefiro não arriscar - contou, antes da simulação.
Mas, um conselho fez ela repensar a ideia. Durante a simulação, Marli preferiu colocar uma blusa por baixo da camisa oficial do evento - uma novidade que deu certo, e que vai permanecer no horário dela.
- O meu amigo disse que estaria frio, então eu fui de blusa de manga longa. Foi tranquilo, pois o ritmo estava bom. Não passei frio, nem calor, foi bem equilibrado.
Patricia Schultz Ferreira, corredora de rua (Foto: Arquivo pessoal / Joseane Daher)Patricia Schultz teve que enfrentar o sol alto na
cabeça (Foto: Arquivo pessoal / Joseane Daher)
A experiência ao contrário: lidar com o sol quente da hora do almoço
Nos altos e baixos das temperaturas em Curitiba, correr de madrugada requer cuidados com o frio, mas ser o responsável por manter o revezamento firme no horário mais quente do dia também é um desafio.
A atleta Patricia Schultz Ferreira, de 41 anos, foi a segunda participante do evento, no último sábado. A missão dela foi percorrer 11 quilômetros entre uma e duas horas da tarde. Com o sol alto e uma tarde quente (com temperatura média de 25ºC), ela teve uma experiência nova nos quatro anos de provas.
- Eu costumo participar de provas de cross-country, então não senti tanto fisicamente, mas estava bem quente quando eu corri. Acabou pegando um pouco, a combinação de calor e sol forte - admite.
Apesar das dificuldades com o ambiente mais quente, Patricia manteve o costume de não tomar água. Em compensação, ela aproveitou o ponto de hidratação para jogar a água no corpo e dar uma refrescada.
- O máximo que faço é tomar um gole e realizar um bochecho, pois não gosto de me hidratar. Com o calor, algo que ajudou bastante foi jogar um pouco de água na cabeça e no corpo, pois deu uma revigorada - explica.
Serviço
O Revezamento 168 Horas segue até o próximo sábado, com chegada às 12h (de Brasília), na frente do Salão de Atos do Parque Barigüi. A iniciativa tem como objetivo bater o recorde de pessoas correndo por mais horas seguidas, além de incentivar a prática de atividades físicas.

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